Na semana em que se registra o Dia Nacional do Luto (19 de junho), especialistas em saúde mental reforçam a importância de acolher diferentes formas de sofrimento provocadas pela perda, como o luto pela morte de animais de estimação.
Os pets passaram a ocupar um lugar central nas famílias. São companheiros de vida, fonte de afeto, rotina e apoio emocional. Por isso, a dor da despedida pode ser intensa, gerando sentimentos como tristeza profunda, saudade, culpa, vazio e até sintomas de ansiedade.
De acordo com a psicóloga Marília Fernandes, do GrupoMED, clínica parceira do Grupo OAF, é importante compreender que o luto pet é legítimo e merece respeito. “A perda de um animal pode ser tão significativa quanto a de qualquer outro vínculo afetivo. Cada um vivencia esse processo de forma única, e como em qualquer luto, não existe um prazo determinado para superar a dor”, explica.
Marília orienta que o primeiro passo é permitir-se sentir.
“Reprimir emoções pode dificultar a elaboração da perda. Falar sobre o animal, compartilhar lembranças, guardar fotografias e criar pequenas homenagens são formas saudáveis de manter viva a memória do companheiro”, explica.
A psicóloga destaca que familiares e amigos exercem papel fundamental no acolhimento de quem está enlutado. O apoio deve ser baseado na escuta e no respeito aos sentimentos da pessoa enlutada.
“Frases como ‘era só um cachorro’ ou ‘logo você adota outro’ podem aumentar o sofrimento. O mais importante é validar a dor e oferecer companhia sem julgamentos”, orienta.
Segundo a psicóloga, gestos simples, como ouvir, lembrar momentos felizes vividos com o animal e respeitar o tempo de cada um, fazem diferença no processo de recuperação emocional. Também é recomendável manter uma rotina básica de alimentação, descanso e atividades diárias, mesmo nos momentos de maior tristeza.
A empresária Érica Bek conhece bem esse sentimento. Há cerca de quatro meses, ela perdeu Bono Vox, um Spitz Alemão que foi seu companheiro por dez anos. Tratado como membro da família, o cão era o xodó da casa e sua morte, em decorrência de um tumor, deixou uma lacuna que ainda não foi preenchida.
“Eu fiquei muito arrasada. Ainda não consegui elaborar totalmente esse luto e nem pensar em ter outro cachorrinho”, relata.

Para ela, alguns gestos ajudaram a amenizar a dor da despedida, como o vídeo que produziu relembrando momentos felizes ao lado de Bono. A cremação, que permitiu que mantivesse consigo uma parte das cinzas do seu companheirinho, também trouxe conforto em meio à saudade.
“Contar a história dele e rever lembranças felizes ajudou a aliviar um pouco a dor. Por enquanto as cinzas estão próximas ao seu cantinho favorito e vou dar a elas um destino bonito quando me sentir preparada”, afirma.
Érica destaca a importância do acolhimento recebido no momento da perda como fundamental. Bono possuía plano pet funeral e, segundo ela, a forma humanizada com que foi atendida pela empresa fez diferença em um dos períodos mais difíceis de sua vida.
“A agilidade, o respeito e o carinho da equipe da OAF, que nos atendia, foram um bálsamo em meio a tanta tristeza. Passado um tempo após a despedida, encontrei a cartinha cheia de significado que haviam feito para mim e foi como receber um abraço carinhoso”, recorda.
Quando procurar ajuda psicológica
Embora o luto seja uma reação natural à perda, alguns sinais indicam a necessidade de acompanhamento profissional. Entre eles estão tristeza intensa e persistente, isolamento social prolongado, dificuldade para realizar atividades cotidianas, alterações importantes no sono ou na alimentação e sentimentos de culpa que não diminuem com o tempo.
“Nesses casos, a psicoterapia pode ajudar a pessoa a elaborar a perda de forma saudável e encontrar recursos emocionais para seguir em frente sem apagar a importância daquele vínculo”, afirma Marília.
“Quando o amor é verdadeiro, a despedida também deixa marcas que merecem acolhimento, respeito e cuidado”, finaliza.









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