Eles têm a pele macia, olhar expressivo e o corpo pesado como o de um recém-nascido de verdade. Os bebês reborn, bonecas hiper-realistas que imitam bebês humanos com impressionante precisão, viraram febre entre adultos que não apenas os colecionam, mas também os tratam como filhos.
Conversamos com duas especialistas e entendemos mais deste universo,mostrando aos leitores do Soubenews até onde faz bem e o que pode trazer malefícios com a vinda do mundo Bebê Reborn e, o que fazer para não atrapalhar sua saúde mental.
Nossas especialistas em saúde mental fazem um alerta: a tendência, que pode parecer inofensiva ou até terapêutica, pode trazer riscos quando ultrapassa certos limites.
A psicóloga Manuela Rocha explica que a prática de “adotar” um bebê reborn pode, em alguns casos, funcionar como substituto de um luto não resolvido, de traumas relacionados à maternidade ou até de uma dificuldade profunda de estabelecer conexões sociais reais.

“Quando há uma identificação excessiva, a ponto de a reborn ser vista como um ser humano, negligência com afazeres do dia a dia — incluindo trabalho e relações interpessoais —, irritabilidade ao ser questionada sobre a interação com o objeto, a ponto de evitar pessoas ou lugares onde é questionada sobre tal comportamento, desconexão com a realidade, dependência emocional com o objeto a ponto de não conseguir se separar dele — esses podem ser alguns dos sinais de que a interação está encobrindo questões de sofrimento emocional”, afirma.
Em comunidades online, é comum ver adultos, em sua maioria mulheres, mostrando rotinas com seus reborns: eles ganham enxoval, carrinho de bebê, vão a passeios e até “tomam vacina”. Algumas chegam a evitar relações amorosas e familiares para se dedicar exclusivamente aos bonecos.
“É como se eu tivesse um filho de verdade. Falo com ele, durmo com ele, me preocupo se está confortável”, relata Ana Vampelo, de 38 anos, que tem três reborns e se considera mãe deles.
Segundo a neuropsicóloga Taty Ades, o uso do reborn pode revelar mecanismos de defesa inconscientes.

“Quando o reborn é usado como substituto de uma relação real, isso pode dificultar o contato com a realidade emocional. A pessoa pode evitar o enfrentamento de dores profundas, como a perda, a solidão ou a frustração. Pode haver isolamento social, negação do luto, ou até confusão entre fantasia e realidade. A psicanálise entende que o problema não é o reborn em si, mas o quanto ele está sendo usado para fugir de algo interno que precisa ser escutado e elaborado.”
O comércio de reborns movimenta milhares de reais — alguns modelos podem custar até R$ 8 mil. Artistas especializados criam versões por encomenda, com aparência personalizada. O mercado cresce, mas a discussão sobre os impactos psicológicos ainda é recente e polêmica.
Embora em certos contextos a interação com essas bonecas possa servir como parte de um processo terapêutico — como em casos de Alzheimer ou no enfrentamento da infertilidade — o acompanhamento profissional é essencial para garantir que a prática não se torne um refúgio doentio.
Entendemos que o ideal é que a pessoa consiga brincar, colecionar, se emocionar, mas também viver plenamente a realidade, com vínculos humanos e desafios reais. O perigo está na fantasia que se torna o único lugar onde a vida parece suportável.










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