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Como acolher o diagnóstico de Síndrome de Down e apoiar o desenvolvimento da criança?

Médica explica como lidar com as emoções iniciais, buscar informação confiável e fortalecer vínculos que apoiam o crescimento saudável e o bem-estar da criança desde os primeiros meses

Cristiane Braga Por Cristiane Braga
30 de março de 2026
Em Notícias, Saúde
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Como acolher o diagnóstico de Síndrome de Down e apoiar o desenvolvimento da criança?

A Síndrome de Down é o transtorno cromossômico mais comum no mundo, manifestando-se uma vez a cada 700 nascimentos, de acordo com a Global Down Syndrome Foundation. Ao receber a notícia de que um filho terá Síndrome de Down, muitos pais podem ficar preocupados. No entanto, mesmo com essa condição médica, a criança pode viver uma vida plena, desde que conte com o apoio dos responsáveis.

O Soubenews conversou com a Dra Sandra do Amor e Saúde para orientar, acalmar e trazer luz para os papais de uma criança com Down.

 

 

“Há muitos casos de crianças com Síndrome de Down que frequentam cursos universitários e, ao se formarem, encontram trabalho. Há também casos em que se casam, têm filhos e os criam com muito amor”, afirma Sandra Miguel, profissional da área de pediatria no AmorSaúde.

 

A médica explica que a Síndrome de Down pode vir acompanhada de outras questões de saúde, como problemas no coração, nos rins ou baixa massa muscular, por exemplo. Porém, com o apoio e carinho dos pais e o acompanhamento médico adequado, é possível manter a saúde em dia.

 

Como se preparar ao receber a notícia

No Brasil, 300 mil pessoas têm Síndrome de Down, segundo o IBGE. Muitos pais descobrem que o filho pode ter a condição em testes realizados durante a gravidez. Sandra explica que, em caso de suspeita, é necessário fazer um exame chamado cariótipo, que confirmará se a criança terá Síndrome de Down.

 

“O casal, ao receber o diagnóstico, assusta-se e preocupa-se. Muitos não querem aceitar e imaginam como seu filho vai se desenvolver, se poderá falar, andar, frequentar a escola, ser alfabetizado, aprender a ler e escrever”, afirma a médica, citando as reações mais comuns.

 

De acordo com Sandra, o susto inicial é comum, mas deve ser seguido por um período de preparação para receber o bebê. Nesse momento, o ideal é buscar orientações com um pediatra, o profissional mais adequado para tirar as dúvidas e explicar os cuidados necessários. “Deve-se evitar a busca na internet sobre a doença, pois existem muitas informações distorcidas que os deixarão ainda mais preocupados”, ressalta.

 

“Se necessário, os pais da criança também podem fazer terapia com psicólogo para se preparar para acolher o filho”, afirma Sandra. A médica explica que o carinho dos pais é a chave para que a criança com Síndrome de Down cresça saudável e possa ter uma vida plena.

 

Como criar vínculos e incentivar o desenvolvimento

“Crianças com Síndrome de Down são muito amorosas, alegres e inteligentes”, destaca Sandra. A médica diz que os pais podem incentivar o desenvolvimento a partir da interação. “Eles devem conversar, brincar, olhar nos olhos, sorrir e dizer palavras de carinho e amor”, resume.

Nos primeiros meses de vida, alguns cuidados podem ajudar a criança com Síndrome de Down a se desenvolver:

 

1) Exercícios para força muscular: algumas crianças com Síndrome de Down apresentam hipotonia (tensão muscular menor) e frouxidão nos ligamentos, o que pode causar luxações. Por isso, é importante incentivar o desenvolvimento muscular. Nos primeiros meses, os pais podem estimular a criança a manter o pescoço ereto e a erguer as mãos;

 

2) Estímulos para sentar e engatinhar: entre os seis e nove meses, os pais podem incentivar a criança a sentar e engatinhar. Para isso, devem segurar suas mãos e incentivar para que fique em pé e dê os primeiros passos;

 

3) Estímulos de fala: ao interagir com o bebê, os pais podem estimular a fala narrando as ações. Por exemplo, dizendo à criança que irão alimentá-la, trocar sua roupa, entre outras atividades. A conversa ajuda a desenvolver a fala e a aumentar o vocabulário;

 

4) Criação de laços afetivos: o bebê, nos primeiros dias de vida, tem visão embaçada e enxerga melhor objetos a uma distância de 20 a 30 centímetros. Os pais podem permanecer nessa distância para que a criança os enxergue e crie laços afetivos;

 

5) Manter a criança tranquila: Sandra explica que, se estiverem nervosas, as crianças com Síndrome de Down podem ser tranquilizadas com brinquedos ou música.

 

Acompanhamentos médicos e cuidados necessários

“Crianças com Síndrome de Down devem ser acompanhadas por uma equipe multidisciplinar. A maioria delas tem certa dificuldade com a fala e pode haver atraso no andar, assim como no controle dos esfíncteres”, explica Sandra. A médica lista quais profissionais podem acompanhar alguém com essa condição médica:

 

Fisioterapeuta: este profissional pode ajudar uma pessoa com Síndrome de Down a desenvolver força muscular e evitar problemas como luxações e dificuldades motoras;

 

Terapeuta ocupacional: ajuda pessoas com Síndrome de Down a ter mais autonomia em atividades do dia a dia, como comer, ir ao banheiro e se vestir sozinhas. O profissional incentiva um melhor convívio social, auxiliando crianças com Síndrome de Down a ter uma boa convivência escolar, por exemplo;

 

Fonoaudiólogo : com o auxílio deste profissional, a pessoa com Síndrome de Down pode ter um melhor desenvolvimento da fala e se comunicar com mais clareza com amigos e familiares;

 

Sandra ainda explica que, em alguns casos, pessoas com síndrome de Down nascem com cardiopatia, necessitando de acompanhamento com cardiologista. “Existem também aqueles que têm, junto à Síndrome de Down, outra patologia, como TEA (Transtorno do Espectro Autista) ou TDAH (Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade). Estas necessitam também de acompanhamento com neurologista”, ela explica.

 

 

 

Tags: Amor e SaudeComo cuidar de alguém com downComo entender a síndrome de downCromossomosDestaqueDra SandraPediatriaSaudeSíndrome de down
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Cristiane Braga

Jornalista responsável pelo Soubenews. Assessora de Imprensa. Flamenguista,amante do Carnaval e louca pela Beija Flor. Uma mulher que leva o jornalismo a sério e a profissão como maior missão de vida.

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